sexta-feira, 13 de maio de 2011

ABARAT - Clive Barker

Este foi um livro “sonhado sem limites” pelo autor. Uma história de ficção fantástica que surpreende por tanta criatividade e delicadeza.
O livro é lindo, cheio de ilustrações pintadas a óleo pelo autor durante quatro anos (só as imagens já valem o livro!). É uma saga de quatro livros, por enquanto só o primeiro foi publicado no Brasil, mas nem por isso a história fica com um final sem sentido, ou perde o brilho.
A história é sobre Candy Quackenbush, uma menina que nunca teve uma vida normal, nunca se sentiu pertencente a sua família, nem mesmo à cidade onde morava, Galinhópolis, uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos, também pertencente ao chamado mais-além, localizada a centenas de quilômetros do mar, cuja maior fonte de renda é a criação de galinhas, animais que, aliás, Candy detesta.
Ela não vê perspectivas para seu futuro, e se sente cada dia mais deslocada. Na escola também se sente solitária e infeliz. Até que um dia um episódio desagradável na escola a faz ir embora mais cedo, e sem vontade de ir para casa ela sai andando sem rumo pelas ruas da cidade. Chega num descampado, onde através de uma espécie de telepatia é atraída para um antigo píer, que é a porta de entrada para Abarat, um arquipélago onde cada ilha é uma hora do dia – lá o tempo é espaço!
No píer Candy conhece João Treloso, um sujeito simpático que estava mais para um personagem de um filme de horror: ele possuía duas galhadas na cabeça com outras sete cabeças menores tagarelando pelos cotovelos. Ele pede ajuda de Candy para fugir de Vivaldo Stampa, capanga do Lorde da Meia-Noite, que perseguirá a menina em toda sua jornada fantástica.
Um tipo de ritual de magia no píer faz Candy atrair o mar para Galinhópolis por alguns instantes, o Mar de Izabella, que os levará para Abarat. Inicia-se assim uma série de aventuras na até então entediante vida desta menina, com direito a ser transportada por Saltadores do Mar, e a fazer amigos e inimigos um tanto quanto excêntricos e peculiares.
Na Ilha da Grande Cabeça sempre são oito horas da noite, e ali Candy vê diferentes seres, frutos de mil casamentos entre humanos e o bestiário de Abarat, chapéus de aquário com peixe dentro, indivíduos com escadas no lugar de pernas, uma verdadeira diversidade caótica, andando pelas ruas movimentadas da cidade, e aí está só o começo do que ela verá.
Em cenários como esse, é que agora Candy irá viver, contando com a ajuda de estranhos. Ao mesmo tempo que a ideia a assusta, ela sente uma estranha familiaridade com esse povo e esse lugar, e alguns abaratianos se espantam com a naturalidade com que ela se porta diante de tantas visões que para quaisquer outros olhos humanos seriam absurdas e impossíveis, e poderiam até mesmo levar à loucura.
Está aí uma grande questão que o primeiro livro não revela, e que deixa um sabor de quero mais delicioso no ar...

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  2. Ótima resenha!!!
    Agora só falta lançarem o restante da série no Brasil.

    ResponderExcluir
  3. To lendo o 1°,
    To qse acabando, e muito legal e tabem tem Desenho.

    ResponderExcluir